Avaliação de uma Implementação do Sistema de Triagem de Manchester: que realidade?

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Avaliação de uma Implementação do Sistema de Triagem de Manchester: que realidade?
Autor Cátia Tatiana Pinto Moreira
Orientador Cristina Maria Nogueira Costa Santos
Co-Orientador
Data de Entrega 2010
URL http://hdl.handle.net/10216/24572
Palavras-chave Triagem, Escalas de triagem, Sistema de Triagem de Manchester, Avaliação do sistema de triagem, Sistema de triagem em Portugal
Resumo

Introdução: A triagem não é um ponto final mas o início de um processo de exame e discriminação clínica. A análise da implementação dos sistemas de triagem e de outros dados inerentes à mesma são de extrema relevância para o desenho e mudança operacional dos serviços de emergência/ urgência.


Objectivo: Análise geral dos dados guardados antes e após a implementação de um sistema de triagem de Manchester. Tal análise, pretende identificar se existiram ou não alterações em alguns indicadores com a introdução do sistema. Após a implementação do sistema de triagem pretende-se identificar algumas das características dos episódios de urgência, de acordo com as diferentes prioridades, e detectar, a existência de erros, inconsistência e omissões nos dados guardados pelo sistema.


Métodos: Foram colhidos retrospectivamente os dados de todos os episódios de urgência do Hospital São Sebastião guardados no sistema aproximadamente 3 anos antes e 3 anos depois da implementação do sistema de triagem de Manchester.


Resultados: A introdução do sistema de triagem de Manchester neste hospital não implicou alterações nos indicadores estudados, como a mortalidade no serviço de urgência, percentagem de internamentos e readmissões. Após a implementação do sistema verificou-se que existe associação entre a prioridade e outros indicadores como a mortalidade no serviço de urgência, a mortalidade no internamento, o tempo de permanência no serviço de urgência e o número de exames diagnóstico. Foi nas prioridades mais elevadas vermelha, laranja e amarela que se verificou a maior percentagem de doentes observados fora do tempo definido para cada prioridade. Contudo, foi nas prioridades mais baixas que se verificou uma maior percentagem de episódios sem registo da hora de observação médica. Detectou-se também uma grande percentagem de erros e inconsistências nos dados guardadossobretudo no registo da hora da observação médica.


Conclusão: Apesar de a triagem ter como objectivo a alteração em alguns indicadores hospitalares, como por exemplo a diminuição da mortalidade, não se encontraram alterações em nenhum dos indicadores estudados. A associação entre a prioridade atribuída na triagem de Manchester e a mortalidade e permanência no serviço de urgência encontrada neste trabalho está de acordo com os resultados obtidos noutros estudos nacionais e internacionais. A falha no registo da hora da observação médica é de extrema importância pois, impossibilita uma correcta avaliação do cumprimento dos tempos de espera recomendados pelo sistema de triagem. Ainda mais, quando nos dados em que existe registo, se verificou uma grande percentagem de tempos de espera excedidos principalmente nas prioridades mais altas. Este estudo encontrou alguns resultados importantes para a avaliação da implementação do sistema de Manchester em Portugal. Sendo o mesmo uma análise retrospectiva dos dados pode ser facilmente repetida em outros hospitais com um o sistema de Manchester implementado. Além destes estudos retrospectivos recomenda-se também o desenvolvimento de estudos de validade e reprodutibilidade.