Transplantação de orgãos: como melhorar o processo?

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Transplantação de orgãos: como melhorar o processo?
Autor Viriato Marco Gomes Ferraz
Orientador Gerardo Oliveira
Co-Orientador Ricardo João Cruz Correia
Data de Entrega 2010/12
URL http://hdl.handle.net/10216/55371
Palavras-chave Transplante de orgãos, Validação de dadores, Fluxo de informação, Comunicação
Resumo

Background: Um transplante de órgãos pode ser definido como a remoção de um ou mais órgãos ou tecido vivo do corpo de um dador e a sua reintrodução no corpo de um determinado receptor. Um transplante é precedido por um longo e complexo processo pelo facto de envolver um conjunto alargado de questões, sendo que os órgãos provenientes de dadores cadáveres têm que ser transplantados num período curto de tempo de modo a poder ser atingido um resultado satisfatório. Um hospital dador é responsável por detectar um potencial dador e comunicar este facto com a maior brevidade possível ao seu Gabinete Coordenador de Colheita de Órgãos e Transplantação que será responsável por num espaço curto de tempo validar o dador, identificar o seu potencial de doação e pela realização dos restantes passos prévios ao processo de transplantação.


Introdução: Em Portugal, no Hospital de São João no Porto, no ano de 2008 foram identificados 65 potenciais dadores sendo que desses, 18% não foram validados como tal, com todo o conjunto de passos prévios realizados de forma atempada. No ano de 2009 os números aumentaram, sendo que dos 61 potenciais dadores internados nas várias unidades de cuidados intensivos, 31% não foram validados como dadores de forma atempada. O número de perdas na validação de eventuais dadores poderia ser reduzido e consequentemente o número de transplantes realizados com sucesso no nosso país ser melhorado se as unidades e hospitais dadores comunicassem de forma mais eficaz com os seus Gabinetes Coordenadores.


Objectivos: O objectivo deste trabalho é conceptualizar e desenvolver um piloto que permita auxiliar o fluxo de informação entre hospitais dadores e os seus Gabinetes Coordenadores, permitindo um maior controlo por parte destes sobre os pacientes avaliados.


Métodos: Com a ajuda do Gabinete Coordenador de Colheita de Órgãos e Transplantação do Hospital de São João foi caracterizada uma estrutura de informação base que possibilite aos Gabinetes Coordenadores identificar e trabalhar sobre a informação de possíveis dadores de forma mais fácil tendo sido representado o fluxo de informação. Esta representação serviu posteriormente para o desenvolvimento de uma aplicação de software baseada em Java (linguagem de programação), MySQL (base de dados) e Jade (sistema de agentes) que possibilite o armazenamento, a gestão e sinalização da informação de possíveis dadores. Numa etapa complementar, através da framework Jade e representando cada agente um hospital dador ou um Gabinete Coordenador de Colheita de Órgãos e Transplantação, foi desenvolvido um módulo para permitir aos Gabinetes Coordenadores terem acesso também, mas de forma mais restrita, à identificação de pacientes sinalizados em outros hospitais da sua rede de coordenação, assim como receber e emitir alertas de e para outros Gabinetes Coordenadores.


Resultados: A caracterização da informação e dos processos que actualmente estão em vigor levou ao desenvolvimento de uma plataforma web, fornecendo uma forma de aumentar o controlo e auxiliar o fluxo de informação, tanto interno como externo, entre Gabinetes Coordenadores e os hospitais da sua rede de coordenação. A plataforma toma partido de registos digitais de acompanhamento dos pacientes efectuados pelos clínicos nas unidades de cuidados intensivos, simulando o formato que se utiliza actualmente em suporte de papel, mas permitindo um vasto leque de acções sobre os mesmos e segundo perfis distintos de permissões. A plataforma possibilita também a comunicação directa entre Gabinetes Coordenadores, através da framework Jade, fornecendo uma forma de comunicar pedidos urgentes, que actualmente se realizam por e-mail, por telefone ou fax.


Discussão: É minha convicção que a utilização do software desenvolvido, poderá melhorar o controlo e consequentemente optimizar o fluxo de informação entre unidades ou hospitais dadores e Gabinetes Coordenadores. Julgo que este modelo de comunicação poderá também contribuir para o aumento do número de transplantes realizados com sucesso no nosso país, pelo aumento do controlo e gestão sobre a informação de potenciais dadores. O estudo provou também a potencialidade de utilização dos agentes como forma de executar algumas tarefas ligadas ao processo de transmissão de informação entre unidades hospitalares distintas.


Conclusões: Através dos testes realizados sobre o paradigma dos agentes, concluí que esta poderá ser uma solução viável a utilizar em certos pontos do fluxo de informação como forma a optimizar a sinalização e disponibilização de informação relevante entre unidades dadoras e Gabinetes Coordenadores. Julgo que a aplicação desenvolvida, assente em paradigmas simples poderá ela própria pela sua utilização, ou servindo de base para outros projectos, servir os propostos a que este trabalho se propunha na sua ideia original.