Normas/Standards

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As Normas ou Standards têm vindo a ser criados de forma a permitir que certos processos trabalhem de forma económica e simples, ou por vezes até se tornem funcionais. Pode ser definido de diversas formas, mas pode ser entendido essencialmente como um conjunto de regras e definições que especificam como levar a cabo um processo ou produção de um determinado produto. Um standard, por vezes, pode revelar-se extremamente importante pois fornece uma possível forma de resolução de um problema, podendo ser utilizado por diversas entidades, sem necessidade de “reinventarem a roda”. Para além destas claras vantagens que foram já apresentadas, através da sua utilização permite-se ainda que pessoas/organizações desassociadas trabalhem de forma cooperativa. Por exemplo, sempre que reproduzimos um CD de música estamos a fazer uso de um standard desenvolvido para o efeito, caso contrário cada empresa desenvolvedora de leitores para este tipo de CD’s teriam de criar os seus próprios mecanismos/soluções, significando que porventura um determinado CD apenas funcionaria para um aparelho específico. Podemos ainda concluir com este exemplo que a utilização de standards pode ainda relevar-se de elevada importância no que diz respeito à interoperabilidade.


Métodos de desenvolvimento de um Standard


O processo de criação de standards é um processo competitivo e tendencioso. A maior parte das normas são criadas por voluntários que representam múltiplos e distintos "stakeholders". Por vezes colocam os seus interesses pessoais acima daquilo que seria o melhor ou o mais adequado. Por isso este processo é bastante moroso e ineficiente. Existem quatro formas distintas para a criação de standards:


  • Método ad hoc: consiste num grupo de pessoas e organizações (por exemplo, fabricantes de sistemas informáticos hospitalares) que aceitam um conjunto de especificações. Essas especificações são informais e aceites como standard através de um acordo mútuo dos grupos participantes. O standard DICOM é um exemplo de uma norma criada através deste método.
  • Método de facto: Um grande produtor cria o seu próprio produto com umas determinadas especificações, que são aceites como standards dada a sua influência no mercado. (Ex. Microsoft Windows).
  • Método governamental: Uma agência governamental cria um determinado standard e legisla a sua utilização.
  • Método de consenso: Um grupo de voluntários representando diversas partes interessadas cria um standard num processo aberto. Este é um dos principais métodos de criação de normas na informática médica. O standard Health Level Seven (HL7) é um exemplo de uma norma criada desta forma.


As principais fases no processo de criação de um Standard


O processo de desenvolvimento de um standard compreende várias fases (Libicki, 1995) [2]. O processo inicia-se com a fase de identificação, na qual se consciencializa a necessidade de existência um standard para um determinada área tecnológica. Por exemplo, numa situação em que existam vários sistemas laboratoriais que pretendam enviar os seus dados para um hospital central, será necessário criar uma mensagem padronizada permitindo assim que os vários sistemas comuniquem entre si sem necessidade de serem criadas interfaces “point-to-point” específicas. Na fase de conceptualização, define-se que características deve ter o standard, o que deve ser capaz de fazer, qual o seu objetivo, qual será o seu formato, entre outras possíveis definições devem nesta fase ser conceptualizadas.

Segue-se a fase de discussão, neste momento da criação do standard diversos aspetos devem ser debatidos entre as partes interessadas na criação da norma. Note-se que na informática médica, grande parte dos standards são criados por voluntários, que representam obviamente partes interessadas, como por exemplo desenvolvedores de sistemas informáticos, utilizadores dos sistemas (profissionais de saúde), consultores, etc. Nesta fase, os participantes para além de definirem o conteúdo/especificações, identificam ainda os pontos críticos e discutem os prós e contras de vários conceitos.

Após esta fase uma versão “draft” do standard é escrito por um pequeno grupo dedicado de pessoas, tipicamente indivíduos representantes dos fornecedores. Esta primeira versão é depois revista, por outro grupo e os pontos controversos são novamente debatidos detalhadamente, onde são propostas soluções até que o standard seja finalmente aceite. Este processo de refinação do standard é geralmente mais complicado com a introdução de novas pessoas no processo, que porventura não estiveram presentes nas discussões iniciais. Pretendendo nesta fase rever pontos que foram já solucionados anteriormente, atrasando assim este processo. Assim sendo, grande parte dos grupos de desenvolvimento de standards têm vindo a utilizar uma política “open standards development”. Basicamente este método consiste na possibilidade de qualquer pessoa puder integrar o processo de criação de uma determinada norma e dar a sua opinião. Muitos dos grupos de criação de normas, que utilizam esta metodologia, permitem ainda um processo de “votação aberta”- Uma versão “draft” é disponibilizada a todas as partes interessadas, podendo estes dar a sua opinião e fazer as suas recomendações. Todos os comentários são posteriormente considerados. Se os comentários negativos forem suficientemente persuasivos, o standard será modificado, caso contrário esse aspeto será discutido com a pessoa que submeteu esse comentário na tentativa de a convencer a remover o seu voto negativo. Mesmo que estes esforços não sejam suficientes, o seu comentário será enviado a todo o grupo de votação, na tentativa de perceber se o grupo é persuadido a mudar o seu voto. Após este processo de refinação do standard, este é finalmente publicado “amadurecendo” posteriormente através do lançamento de várias versões.

A fase crítica na vida de um standard é a fase inicial, onde a aceitação e a taxa de implementação são fatores determinantes para que seja bem-sucedido. Este processo é influenciado essencialmente por entidades acreditadoras de ''standards'', como entidades governamentais e a sua utilização por parte de empresas com bastante impacto no mercado, revela ser também um fator importante. A manutenção e propagação do standard são também aspetos muito importantes para garantir a continuidade da difusão do valor do standard.


Conformidade de uma Norma/Standard


Um aspeto também muito importante dos standards é a sua conformidade, um conceito que abrange o cumprimento da norma como também inclui acordos específicos entre os utilizadores que afirmam que as regras serão seguidas. Até mesmo um standard perfeito deve ser sempre acompanhado de um documento de conformidade. No entanto, atualmente não existe nenhuma entidade que certifique a conformidade da utilização de um determinado standard específico por parte de um desenvolvedor.

Para concluir, o processo de desenvolvimento de um standard é bastante demorado e bastante dispendioso. Nos Estados Unidos da América este processo é geralmente voluntário, em oposição ao que acontece na Europa e nos restantes países onde grande parte das normas são desenvolvidas por entidades governamentais.

As principais Normas/Standards utilizadas na informática médica podem ser consultadas aqui: Normas e Terminologias.


Referências

[1] Shortlife, E. H; Cimino, J. J.; “Biomedical Informatics”, Computer Applications in Health Care and Biomedicine, Fourth Edition, Springer® 2014, Cap. 7, Pag. 211-218

[2] Libicki, M; “Standards: The rough road to the common byte”; Harvard University, Center for Information Policy, “Program on Information Resources Policy”, 1995