Potencial da Telemedicina Dentária no Diagnóstico Oral Infantil

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Potencial da Telemedicina Dentária no Diagnóstico Oral Infantil
Autor Rui José de Oliveira Amável Morais
Orientador Ricardo João Cruz Correia
Co-Orientador José Frias Bulhosa
Data de Entrega 2010
URL http://hdl.handle.net/10216/45739
Palavras-chave Odontopediatria, Diagnóstico remoto, Telediagnóstico
Resumo

Introdução: A cárie dentária é uma doença muito comum na infância e representa um sério problema em odontopediatria. Efectivamente, se não for tratada, a cárie dentária evolui podendo implicar várias consequências negativas para a criança, nomeadamente na fala e mastigação, ou mesmo até afectar a sua auto-estima. Em Portugal, a prevalência de cárie dentária em crianças com apenas 6 anos de idade é aproximadamente de 50%, e a maioria das mesmas só iniciam as consultas médicodentárias depois dessa idade. Para além da cárie, problemas de carácter ortodôntico podem igualmente ocorrer com frequência em crianças com idade pré-escolar. No sentido de reverter esta tendência, o diagnóstico remoto apresenta-se como um recurso a explorar no sentido de proporcionar o cedo diagnóstico, alertando para o tratamento atempado para que desse modo as crianças possam manter um adequado estado da sua saúde oral. O desenvolvimento do telediagnóstico poderia assim beneficiar significativamente os cuidados de saúde oral, diminuindo custos e tempo associados às deslocações e aumentando o acesso aos serviços médico-dentários.


Objectivo: Avaliar a validade da telemedicina dentária no diagnóstico remoto dos problemas médico-dentários mais comuns em crianças, baseado na observação de fotografias orais não-invasivas e utilizando tecnologia acessível e de baixo custo.


Métodos: Para o efeito, foi desenvolvido e testado um projecto de telemedicina dentária para rastreio remoto médico-dentário. Foram efectuadas 3 fotografias por cada uma das 66 crianças envolvidas no projecto para posterior análise remota por 4 médicos dentistas. Cada médico dentista preencheu um questionário “on-line” por cada criança, identificando como conclusão quais as que deveriam ser encaminhadas para tratamento médico-dentário. As mesmas crianças foram previamente observadas presencialmente, através do exame médico-dentário tradicional, que foi usado como “gold standard” neste estudo. Os dados relativos aos dois diferentes métodos de diagnóstico foram posteriormente comparados e analisados estatisticamente.


Resultados: Os resultados apresentaram uma taxa de acerto média de 85%. Os valores de sensibilidade situaram-se entre os 94% e os 100% (98% de média) e os de especificidade entre 52% e 100% (média de 73%). O valor preditivo positivo situou-se entre 67% e 100% e o valor preditivo negativo entre 94% e 100%.


Discussão e conclusão: Os resultados sugerem que o diagnóstico remoto dos problemas médico-dentários mais comuns em crianças com idade pré-escolar baseada em fotografias não-invasivas, constitui um recurso válido principalmente quando pretendemos identificar as crianças que não necessitam de ser encaminhadas a um Médico Dentista para tratamento dos problemas orais. Idealmente, mais estudos deverão ser realizados no sentido de aumentar a validade deste processo quando o pretendido for identificar aquelas que precisam ser encaminhadas para idêntico procedimento. A alta taxa de acerto média verificada sugere que este método de Telemedicina dentária apresenta potencial para ser utilizado em prol do diagnóstico oral infantil.