Preservação Digital

Da aprendis
Revisão das 13h50min de 4 de dezembro de 2015 por Maria João Simões (Discussão | contribs)

(dif) ← Revisão anterior | Revisão atual (dif) | Revisão seguinte → (dif)
Ir para: navegação, pesquisa

Todos os objetos digitais dependem de tecnologia para funcionar. Isto significa que estão extremamente sujeitos à obsolescência tecnológica. E isto resulta em novos desafios para aqueles responsáveis por garantir a preservação desta informação.

O que é a Preservação Digital?

A essência da preservação é o uso de recursos humanos, técnicos e tecnológicos na correta proteção de recursos informacionais.
Assim sendo, a preservação digital (PD) é o conjunto de atividades e processos que garantem o acesso contínuo e permanente a informação digital.


A PD torna possível que a informação em formato digital continue acessível e interpretável no futuro, mesmo fazendo uso de tecnologias diferentes da originalmente usada na sua criação.


A preservação digital envolve a preservação tanto do "objeto físico" como do "objeto informacional", isto é, do suporte e do conteúdo.
Isto significa, então, que as técnicas de preservação devem ser capazes de compreender e recriar a forma e/ou função original da informação a preservar, por forma a garantir a sua autenticidade e acessibilidade.


Desafios da Preservação Digital

  • Falta de espaço, mas volumes enormes de informação:
A implementação constante de novas tecnologias resulta na incapacidades das instituições de "pegar" na informação que têm em formatos "físicos" e passá-la para formatos digitais, por forma a libertar espaço de armazenamento. Como resultado, a informação pode ser encontrada nos mais diversos formatos e nos mais diversos locais, o que dificulta imenso a sua preservação e, obviamente, o seu acesso.
  • Informação digital produzida a um ritmo crescente, que em muito ultrapassa a capacidade dos gestores de informação de gerir;
  • Heterogeneidade da informação digital torna inadequadas as "tradicionais" técnicas de preservação digital para muitos tipos;
  • Falta de estratégias para preservar bases de dados dinâmicas, websites complexos, ferramentas analíticas ou software no futuro alargado;
  • Garantir a interoperabilidade da informação preservada:
O arquivo e preservação de informação em formato digital implica a gestão da fragmentação de responsabilidades e a enorme variedade de sistemas para uma ainda maior variedade de formatos dentro de uma única organização (exemplos: relatórios laboratoriais, imagens Raio-X, registos registos de saúde eletrónicos, etc.). Esta informação deve ser integrada.
  • Obsolescência tecnológica:
A tecnologia não pára de evoluir (e a um ritmo cada vez mais rápido) e mesmo a mais popular hoje ficará eventualmente datada e será descartada. No entanto, é necessário preservar o conteúdo (também aqui, garantir a interoperabilidade é um desafio).
  • Desaparecimento dos custodiadores da informação (extinção ou absorção de serviços e mesmo de instituições de saúde);
  • Incapacidade dos utilizadores de fazerem uso ou de compreenderem a informação preservada;
  • Perda de poder probatório da informação por incerteza da sua origem e autenticidade;
  • Impossibilidade de acesso à informação;
  • Desrespeito pelas restrições de acesso e uso da informação preservada.


É necessário desenvolver modelos de decisão que auxiliem na escolha das melhores estratégias de preservação e na avaliação custo-benefício dos vários níveis de descrição e metadados.
A falta de normas e as especificações de metadados precisam, igualmente, de ser geridas para garantir o sucesso da preservação digital.
A própria preservação digital deve evoluir por forma a acompanhar os novos desenvolvimentos e satisfazer as necessidades que daí surgem.


Modelos que suportam a Preservação Digital

Na esperança de facilitar o processo de PD, existem uma série de tentativas de criação de normas, ferramentas, estratégias e modelos.


Estratégias de Preservação Digital

Existem diversas estratégias de PD que começaram a ser desenvolvidas assim que a PD se tornou numa realidade, mas nenhuma dessas estratégias satisfaz todas as necessidades e exigências de todos os objetos de informação digital.
Os responsáveis pela gestão e preservação da informação digital precisam ser capazes de avaliar as estratégias disponíveis e adotar a(s) que melhor se adequa(m) à coleção a preservar, às necessidades dos seus utilizadores e aos objetivos das instituições a que pertence.

Preservação da Tecnologia

Esta é uma das primeiras estratégias de PD desenvolvidas e consiste na preservação de todo e qualquer hardware e software necessário ao uso dos objetos digitais.


Vantagens:
maior fiabilidade no uso do objeto;
Desvantagens:
dificuldade na gestão do espaço físico e da operacionalidade
não é útil a longo prazo (obsolescência tecnológica)
a informação fica confinada a um local específico no mundo


Refrescamento (Refreshing)

É a transferência da informação contida num determinado objeto digital para um formato mais recente.


Vantagens:
aborda diretamente o problema da obsolescência tecnológica
Desvantagens:
não consiste numa técnica por si só; é, antes, um requisito de uma boa estratégia de preservação digital


Emulação (Emulation)

Estratégia que implica a construção de um emulador capaz de imitar/reproduzir o hardware e/ou software original numa plataforma diferente que, à partida, não seria compatível.


Vantagens:
preserva corretamente as características e as funcionalidades do objeto original
Desvantagens:
o software original pode conter bugs ou vírus que podem por em risco a integridade da informação e até mesmo levar à perda do conteúdo
a criação de emuladores requer conhecimento muito específico que pode ser dispendioso e difícil de encontrar
maus emuladores podem causar a perda da informação
também os emuladores são alvo de obsolescência tecnológica


Migração/Transformação

A migração envolve a transferência periódica da informação digital de um formato tecnológico para outro mais recente.


Vantagens:
foca-se na preservação do conteúdo intelectual dos objetos digitais
permite uma maior facilidade no acesso ao conteúdo
Desvantagens:
algumas propriedades da informação podem ser indevidamente transferidas
o suporte para o qual é migrada a informação está sujeito a obsolescência tecnológica


A migração pode ser aplicada diretamente ao objeto inicial, em vez de a uma versão mais recente.

Vantagens:
se uma migração tiver erros, estes podem ser resolvidos no futuro


Esta técnica pode, ainda, ser feita com recurso a serviços de conversão remotos, disponíveis na Internet.

Vantagens:
assegura a fiabilidade dos sistemas de informação
resiste ao desaparecimento de conversores convencionais
é compatível com outras técnicas de PD
pode levar à redução dos custos da preservação digital
Desvantagens:
segurança dos dados e períodos de transferência podem comprometer esta técnica


Migração para Suporte Analógico

Objetos digitais podem, também, ser transferidos para formatos analógicos, como o papel, por exemplo.

Vantagens:
suportes analógicos não estão sujeitos a obsolescência tecnológica
Desvantagens
objetos dinâmicos, multimédia ou interativos não podem ser preservados desta forma


Versionamento (Versioning)

Esta é a técnica mais utilizada. Consiste na transferência da informação de um objeto digital para uma versão mais recente desse mesmo suporte.


Vantagens:
consiste na atualização do suporte original
Desvantagens
as entidades e/ou marcas que produzem novas versões do suporte podem deixar de o fazer


O uso de formatos independentes do software, isto é, formatos interoperáveis, como é o caso do PDF, JPEG ou TIFF, pode prevenir a disrupção.


Normalização/Standardização